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Caminho escolar de quase 200 mil alunos impactado por violência no Rio

Jornal CariocaJornal Cariocaabril 1, 2026 1493 Minutes read0

A ida à escola deveria ser parte da rotina. No Rio de Janeiro, porém, ela tem sido atravessada pela violência armada e pela instabilidade no transporte público. Um novo estudo mostra que quase 190 mil estudantes da rede municipal tiveram o caminho entre casa e sala de aula comprometido nos últimos anos.

Violência armada compromete o acesso à escola no Rio

Segundo o estudo “Percursos interrompidos: efeitos da violência armada na mobilidade de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro”, lançado em 26 de março de 2026 por UNICEF, Instituto Fogo Cruzado e GENI/UFF, ao menos 188.694 crianças e adolescentes da rede municipal do Rio tiveram seus trajetos casa-escola afetados entre janeiro de 2023 e julho de 2025. No período, foram registradas 2.228 interrupções no sistema de transporte público da cidade.

O levantamento mostra que o problema não é isolado. Das 4.008 unidades escolares ativas em 2024 na rede municipal, cerca de 95%, o equivalente a 3.825 escolas, registraram ao menos uma interrupção do transporte no entorno. Na prática, isso significa que o acesso à educação deixou de ser previsível para milhares de famílias cariocas.

Interrupções longas agravam a rotina de alunos e famílias

Os dados apontam que as interrupções não foram pontuais nem rápidas. A média foi de sete horas por evento, e um quarto das ocorrências ultrapassou 11 horas. Quando os bloqueios ocorreram em dias letivos e no horário escolar, cenário que representou 1.084 registros, a duração média subiu para 8 horas e 13 minutos. Mais da metade desses episódios passou de quatro horas.

Esse cenário compromete diretamente os turnos escolares e afeta a vida de quem depende da escola pública todos os dias. Além de dificultar a chegada ou o retorno para casa, a instabilidade cria insegurança, desgaste emocional e mais obstáculos para a permanência dos alunos na rotina de aprendizagem.

Principais causas das interrupções

No recorte de período letivo e horário escolar, as causas mais frequentes foram:

  • barricadas: 32,4%
  • ações ou operações policiais: 22,7%
  • manifestações: 12,9%
  • ações criminosas no local: 9,6%
  • registros de tiros ou tiroteios: 7,2%

Desigualdade territorial pesa sobre estudantes de áreas mais vulneráveis

Embora as ocorrências tenham sido registradas em diferentes pontos da cidade, o estudo mostra que a mobilidade interrompida se concentra em territórios já marcados por desigualdades urbanas e raciais. Penha, Bangu e Jacarepaguá aparecem como os principais epicentros. A Penha acumulou 633 eventos e ficou o equivalente a 176 dias sem circulação de transporte público. Jacarepaguá registrou 161 eventos e 128 dias de interrupção acumulada. Bangu somou 175 eventos e 45 dias.

Quando o recorte considera apenas período letivo e horário escolar, a desigualdade fica ainda mais clara. Entre janeiro de 2023 e julho de 2025, 96 bairros tiveram ao menos uma interrupção, mas apenas dez concentraram praticamente todo o tempo perdido. Nesse cenário, Penha e Jacarepaguá somaram 296 e 108 ocorrências, respectivamente, o que corresponde junto a cerca de 88 dias letivos de paralisação. Em contraste, 70 dos 166 bairros do município não tiveram nenhum registro nesse mesmo recorte.

Escolas em áreas de maior risco concentram parte importante das matrículas

O relatório também classificou as escolas da rede municipal conforme o grau de risco relacionado à frequência e à intensidade das interrupções em seu entorno. Embora 72,5% das matrículas, o equivalente a 911.216 estudantes, estejam em unidades de menor risco, 25,8%, ou 323.359 crianças e adolescentes, estão vinculados a escolas classificadas como de risco moderado, alto ou muito alto.

Entre as mais de quatro mil escolas municipais, 120 unidades — ou 2,9% do total — foram classificadas como de risco alto ou muito alto. A Zona Norte reúne 71 dessas escolas, o equivalente a 59,2% do total, seguida pela Zona Oeste, com 48 unidades, ou 40%.

No período analisado, foram contabilizados 1.021.054 deslocamentos casa-escola potencialmente impactados, distribuídos em 377 dias letivos e envolvendo, em alguns anos, até 3.580 escolas. O número reforça que o impacto da violência armada sobre a educação não é episódico: ele se espalha pela cidade e atinge em cheio a rotina escolar de milhares de crianças e adolescentes.

Estudo amplia alerta sobre os efeitos da violência na educação

O novo levantamento dá sequência à série Educação Sob Cerco, publicada em 2025, que já havia mostrado o peso do controle territorial armado sobre a vida escolar no Grande Rio. Segundo esse estudo anterior, 51% dos estudantes de 19 municípios da Região Metropolitana e 55% dos alunos da capital estavam inseridos, em maior ou menor grau, em contextos de violência armada. Em 202

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educaçãoRio de Janeiro
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