Uma investigação da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) no Rio de Janeiro envolve um encontro marcado por meio de um aplicativo, uma caipirinha e uma significativa perda de memória. Conforme relatos da Polícia Civil, um turista colombiano teve seu celular, cartões de crédito e US$ 1,2 mil subtraídos após desmaiar na noite de quinta-feira (24).
O colombiano despertou apenas no dia seguinte, já internado no Hospital Municipal Souza Aguiar, localizado no Centro, sem recordar como havia ido até lá. A ocorrência resultou na prisão em flagrante de dois suspeitos na noite de sexta-feira (25).
Um dos detidos é acusado de roubo, enquanto o outro foi preso por receptação. As detenções ocorreram por volta das 20h na galeria do Túnel Rebouças, durante operações realizadas pela Deat.
As responsabilidades pelos atos ainda estão sob análise judicial.
O encontro e o despertar no hospital
A investigação revela que o turista agendou um encontro com indivíduos que conheceu através de um aplicativo de relacionamentos. Durante a noite, ele consumiu uma caipirinha e depois perdeu a consciência.
Testemunhas informaram à polícia que ele foi encontrado na rua, nas proximidades do centro do Rio, e colocado em um carro. As circunstâncias em torno desse transporte ainda estão sendo investigadas.
Quando recuperou os sentidos no dia seguinte, o colombiano se encontrava no Souza Aguiar. O atendimento médico indicou que ele apresentava lesões no ombro e no braço direito, além de desorientação possivelmente causada por alguma substância externa ao organismo.
Embora haja uma suspeita registrada, não foi divulgado o resultado do exame toxicológico que pudesse identificar a substância responsável pela perda de consciência.
Após ser notificada pelo hospital, a Deat iniciou buscas pelos envolvidos. Durante uma abordagem, foram encontrados em um veículo dois copos com caipirinha e um frasco de Rivotril, medicamento à base de clonazepam.
A presença do remédio compõe as evidências coletadas pela polícia; contudo, isso não confirma que tenha sido adicionado à bebida do turista. Essa relação será determinada pela avaliação das provas reunidas e possíveis exames periciais.
Turista reconheceu um dos presos
Na delegacia, conforme informações da Polícia Civil, o turista identificou um dos envolvidos no crime como autor do roubo.
O segundo suspeito não foi reconhecido pela vítima como parte da ação; entretanto, a polícia encontrou com ele um celular que constava como produto de furto, levando à sua autuação por receptação.
As autoridades continuam a busca por um terceiro homem supostamente envolvido no delito contra o colombiano. Os investigadores também tentam rastrear quem realizou transações bancárias utilizando os cartões roubados da vítima.
Um dos investigados aparece em outros três casos
Segundo informações da Deat, o detido já havia sido vinculado a outros três inquéritos abertos pela delegacia em agosto. Sua possível participação nesses casos está sendo averiguada.
Em uma das situações relatadas, turistas britânicos mencionaram ter sofrido o roubo de pertences e movimentações financeiras que somaram cerca de 50 mil euros.
Outro caso envolveu um turista norte-americano que teve bens subtraídos e enfrentou transações fraudulentas totalizando US$ 17,8 mil. Por fim, um canadense denunciou o furto do celular e movimentações aproximadas de R$ 2,9 mil.
A polícia está averiguando se esses incidentes estão interligados e procura identificar outros possíveis envolvidos ou beneficiários das transferências financeiras realizadas indevidamente.
O que fazer diante de uma suspeita de bebida adulterada
A prática de adulterar bebidas com substâncias que causam sonolência ou desorientação é conhecida popularmente como golpe “Boa Noite, Cinderela”. Essa técnica pode ser utilizada em diversos tipos de crimes, incluindo roubo e violência sexual.
Substâncias sedativas e depressoras do sistema nervoso central, como os benzodiazepínicos, são frequentemente empregadas nesse tipo criminoso. A mistura com álcool pode intensificar os efeitos adversos à saúde.
Caso alguém apresente sonolência repentina ou confusão mental após ingerir álcool – além de dificuldade para ficar em pé ou perda temporária da memória – é crucial encaminhá-la a um serviço médico imediatamente. Essa pessoa não deve ser deixada sozinha nem levada por estranhos.
Depois garantir assistência médica adequada, algumas medidas podem ajudar a proteger a vítima e auxiliar na investigação:
- notificar imediatamente uma pessoa confiável;
- informar ao pessoal médico sobre a suspeita da bebida ter sido adulterada;
- registrar boletim policial assim que possível;
- preservar conversas em aplicativos, perfis online, fotos e recibos relacionados ao encontro;
- não apagar mensagens ou bloquear contatos antes de guardar provas;
- solicitar o bloqueio imediato dos cartões e contas bancárias;
- analisar transferências ou compras desconhecidas feitas pela vítima;
- pedir o bloqueio do celular junto à operadora;
- preservar copos ou garrafas quando for seguro fazê-lo.
A rapidez nas comunicações é fundamental para iniciar investigações eficazes e pode aumentar as chances de identificação dos culpados segundo orientações das autoridades policiais.
No Rio de Janeiro, turistas brasileiros ou estrangeiros podem se dirigir à Delegacia Especial de Apoio ao Turismo. Em situações emergenciais médicas, o Samu pode ser contatado pelo número 192; questões relacionadas a risco imediato devem ser reportadas à Polícia Militar através do número 190.
