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Estudo revela que mamutes e dinossauros eram mais lentos do que acreditado

Jornal CariocaJornal Cariocamarço 25, 2026 2533 Minutes read0
  • Cientistas espanhóis revisam a velocidade máxima de mamutes e dinossauros.
  • Estudo publicado na Scientific Reports aponta que eram mais lentos que o estimado.
  • Pesquisa da Universidade de Granada e Complutense de Madrid foi fundamental.
  • Modelos específicos para animais graviportais foram usados, com elefantes como base.
  • Acima de 100 kg, a velocidade máxima diminui progressivamente, não aumenta.
  • Implicações para a paleontologia e ecossistemas passados são significativas.

Uma nova pesquisa, liderada por cientistas espanhóis e publicada nesta segunda-feira (23/3) na revista Scientific Reports, demonstra que mamutes e dinossauros gigantes eram significativamente mais lentos do que se pensava, devido a limites biomecânicos impostos pelo seu grande tamanho corporal.

Durante décadas, a ciência e a divulgação popular representaram os grandes animais pré-históricos, como mamutes e dinossauros, como criaturas surpreendentemente rápidas apesar de seu enorme tamanho. No entanto, um estudo inovador desenvolvido por investigadores da Universidade de Granada e da Universidade Complutense de Madrid, com a colaboração de universidades internacionais, introduz uma revisão substancial dessa ideia.

A pesquisa conclui que a velocidade máxima desses animais foi consideravelmente menor do que muitas estimativas anteriores indicavam, especialmente para os exemplares de maior massa corporal. O trabalho analisa em profundidade como o aumento extremo do tamanho corporal impõe limites biomecânicos claros à locomoção.

Revisão de modelos de locomoção

Ao contrário de trabalhos anteriores, que estimavam velocidades elevadas baseando-se em pegadas fósseis ou em modelos generalistas aplicados a todos os animais terrestres, este novo estudo introduz modelos específicos para animais graviportais. Esses modelos tomaram como referência dados reais de elefantes atuais, considerados os melhores análogos vivos dos gigantes extintos.

Os resultados obtidos mostram que, a partir de um certo limiar de massa corporal, em torno de 100 quilogramas, a velocidade máxima de um animal não aumenta mais com o tamanho. Pelo contrário, ela começa a diminuir progressivamente. Para os dinossauros de grande porte, isso significa que eles não podiam correr de forma sustentada, mas sim se deslocar em marchas rápidas, suficientes para se moverem com eficácia, porém incompatíveis com corridas prolongadas. No caso dos mamutes, as estimativas são consistentes com as dos elefantes modernos, indicando velocidades máximas moderadas e muito distantes da imagem de animais capazes de percorrer grandes distâncias em alta velocidade.

Limitações biomecânicas e evolução

Um dos pontos cruciais do estudo é a análise do estresse mecânico que ossos e músculos suportam durante a locomoção. Com o aumento da velocidade, a carga sobre as extremidades cresce consideravelmente, elevando o risco de falha estrutural. Os investigadores explicam que o enorme peso corporal de mamutes e dinossauros gigantes tornava biomecanicamente inviável alcançar altas velocidades sem comprometer a integridade do esqueleto e dos tecidos moles. A evolução, nesses animais, favoreceu extremidades robustas e estáveis, otimizadas para suportar grandes cargas em vez de gerar acelerações rápidas.

Implicações para o comportamento pré-histórico

Cientistas da Universidade de Granada apontam que a seleção natural priorizou a estabilidade e a eficiência energética em detrimento da velocidade. Essa estratégia adaptativa é lógica para espécies cujo sucesso não dependia da agilidade, mas sim de seu tamanho, resistência e baixo custo energético ao se deslocar. Essa abordagem também contribui para uma melhor compreensão do comportamento dos grandes dinossauros carnívoros, que provavelmente dependiam mais de táticas como o espreitar, a emboscada ou a proximidade do que de perseguições longas e velozes.

As conclusões do estudo têm implicações diretas para a paleontologia e para a reconstrução dos ecossistemas do passado. Se os grandes herbívoros e carnívoros eram mais lentos do que se imaginava, as interações entre as espécies devem ter se baseado em dinâmicas diferentes das tradicionalmente representadas.

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tecnologia
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