A atriz Cássia Kis nasceu em um cortiço e enfrentou duras condições de vida durante sua infância, que foi marcada pela severidade de sua mãe. Aos 15 anos, precisou deixar o lar após ser descoberta fumando e consumindo cachaça.
Esse evento deu início a uma série de transformações significativas em sua vida pessoal e carreira.
Em busca de novas oportunidades, mudou-se para São Paulo, onde tentou ingressar nas faculdades de Matemática e História na Universidade de São Paulo, mas logo percebeu que seu verdadeiro sonho era se tornar atriz.
Decidida a seguir a carreira artística, Cássia transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde, enfrentando dificuldades financeiras, chegou a viver em praças e nas ruas.
Superando esses desafios, formou-se em Artes Cênicas e se estabeleceu como uma das atrizes mais reconhecidas do Brasil, recebendo diversos prêmios e consolidando seu espaço nas novelas da TV Globo.
Em relação à sua vida amorosa e pessoal, a artista já compartilhou em entrevistas sobre os muitos relacionamentos que vivenciou, além de suas experiências dolorosas e conflitos internos, que permanecem no âmbito privado.
A luta contra as drogas quase arruinou sua trajetória. Ela começou com maconha e depois experimentou cocaína, crack, LSD, chá de cogumelo e substâncias injetáveis. Durante esse período conturbado, também foi diagnosticada com transtorno bipolar.
Cássia buscou formas de se reerguer através do Espiritismo, adotou uma dieta vegetariana, iniciou terapia e conseguiu se distanciar gradualmente das drogas.
Embora não tenha se envolvido ativamente em causas sociais ou políticas ao longo da maior parte da sua carreira, em 2006 tornou-se madrinha da Semana Mundial do Aleitamento Materno, apoiada pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pelo Ministério da Saúde. Naquela época, expressava apoio ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e participou de manifestações em favor do líder petista.
No entanto, não é possível afirmar que suas mudanças abruptas de comportamento e posições sociais sejam exclusivamente atribuídas ao seu diagnóstico bipolar.
Cassia Kis distanciou-se publicamente do ex-presidente Lula e fez críticas severas ao governo de Jair Bolsonaro, especialmente em relação à sua gestão durante a pandemia da COVID-19. No entanto, posteriormente adotou uma postura radical à direita, declarando apoio a Bolsonaro, posicionando-se contra o aborto e assumindo visões conservadoras.
No presente momento, a atriz é alvo de críticas e investigações devido a declarações vistas como preconceituosas direcionadas à comunidade trans e casais homoafetivos. Movimentos LGBTQIA+ têm contestado suas opiniões sobre identidade de gênero e o direito das mulheres trans aos banheiros femininos.
A recente polêmica envolvendo Cássia Kis ocorreu em Niterói, onde a Câmara Municipal local aprovou a concessão da Medalha José Clemente Pereira. A proposta foi apresentada pela vereadora Fernanda Louback, com coautoria do vereador Alla Lyra, ambos filiados ao PL.
A justificativa para essa homenagem ressalta que Cássia tornou-se uma figura pública associada a questões conservadoras, incluindo o debate acerca do uso dos banheiros femininos por mulheres trans.
No entanto, o vereador Anderson Pipico, do PT, levantou questionamentos sobre os motivos por trás dessa concessão. A vereadora Benny Briolly strong>, também criticou essa decisão em defesa dos direitos trans.
Addicionando ainda mais controvérsia à situação, o jornal O Fluminense publicou em 31 de janeiro de 1986 uma manchete que dizia: “Baile de Gala será amanhã no Canto do Rio”. A matéria informava que as atrizes Suzane Carvalho e Cássia Kis seriam coroadas como rainhas do baile pelo Rei Momo de Niterói.
A publicação indicava que Suzane recebia o título de Rainha do Baile Oficial do Canto do Rio enquanto Cássia seria coroada Rainha do 1º Baile de Gala realizado na cidade.
Cássia Kis também teve seu momento no carnaval como rainha em Niterói no passado.
Pergunta-se agora: será que ela atribuirá isso a um surto psicótico?
Mário Sousa é jornalista, analista político e diretor teatral.

