Uma sessão que seria dedicada à análise de propostas para Niterói terminou em forte tensão na Câmara Municipal. O debate sobre a homenagem à cantora Ludmilla expôs divergências políticas, travou a pauta e antecipou o encerramento dos trabalhos legislativos.
Homenagem à Ludmilla provoca tensão na Câmara de Niterói
A discussão começou durante a votação de um projeto de decreto legislativo que concede o título de Cidadã Niteroiense à cantora Ludmilla, que se apresentou no réveillon da Praia de Icaraí, em 31 de dezembro de 2025. O tema provocou um confronto entre as vereadoras Fernanda Louback (PL) e Benny Briolly, autora da proposta.
Durante a sessão, Fernanda criticou a homenagem e relacionou o caso à lei de sua autoria, sancionada pelo Poder Executivo em 24 de dezembro de 2025, que proíbe shows custeados pelo poder público com músicas que façam apologia ao crime organizado em Niterói. Enquanto ela se manifestava, Benny passou a gravar vídeos para as redes sociais, o que elevou a tensão no plenário.
Irritada, Fernanda se aproximou da colega e disse: “Vossa Excelência me respeite!”. Assessores precisaram intervir para afastar as duas parlamentares.
Bancada do PL questiona projeto e tramitação
O embate começou antes mesmo da votação. A bancada do PL reclamou que a proposta entrou na pauta em cima da hora e pediu a retirada do texto. Além disso, vereadores do partido criticaram o repertório apresentado por Ludmilla no show de Icaraí.
O vereador Douglas Gomes, líder da bancada do PL, afirmou que o show teria incluído músicas que, segundo ele, exaltavam o uso da maconha, e pediu voto contrário à homenagem. Já Fernanda sustentou que a aprovação representaria uma afronta à legislação aprovada no fim de 2025.
O vereador Allan Lyra (PL) também apontou falhas na tramitação, ao lembrar que a proposta ainda não tinha parecer da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e não havia sido debatida no Colégio de Líderes. Em resposta, Binho (PDT), líder do governo na Casa e vice-presidente da CCJ, apresentou parecer favorável ao projeto. Já Anderson Pipico defendeu que a honraria reconhecia a artista, e não o conteúdo das músicas cantadas no réveillon.
Votação divide o plenário e expõe blocos políticos
Mesmo com o clima de tensão, a homenagem foi aprovada por 8 votos a 6. Votaram contra os quatro parlamentares do PL, além de Michel Saad (Podemos) e Leandro Portugal (MDB).
Os votos favoráveis foram de Benny, Anderson Pipico (PT), Binho, Professor Túlio (PSOL), Luiz Carlos Gallo (Cidadania), Emanuel Rocha (Avante), Leonardo Giordano (PCdoB) e Sylvio Maurício (PT).
Declarações ampliam o embate no plenário
Após a aprovação, Benny comemorou o resultado, disse que Ludmilla é sua amiga, citou a ligação de integrantes da banda da cantora com o Fonseca e acusou a extrema-direita de não aceitar o sucesso de uma mulher preta e favelada. A vereadora também afirmou que a artista ajuda muitas pessoas.
Na sequência, Benny ainda mencionou o caso do filho do subsecretário estadual de Direitos Humanos, citado por ela como acusado de estuprar uma jovem de 17 anos, ampliando o tom do confronto político. Fernanda pediu aparte, disse que não era contra negros e afirmou defender as famílias atípicas. Enquanto isso, Benny continuou gravando e exibindo o projeto aprovado perto da colega, o que reacendeu a discussão.
Confusão encerra sessão antes do previsto
Diante do bate-boca, o presidente da Câmara, Milton Cal (União Brasil), encerrou a sessão com 48 minutos de duração. Com isso, outros projetos previstos na pauta ficaram para as próximas reuniões.
Entre os temas adiados está uma moção de repúdio contra a escola Acadêmicos de Niterói, com menção especial à ala “família tradicional em conserva”, proposta por Allan Lyra. O assunto deverá ser discutido no Colégio de Líderes na próxima segunda-feira, 9 de março, e votado na semana seguinte.
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