A Polícia Civil está realizando uma investigação que foca em dois homens que são considerados figuras-chave de uma milícia ativa no Rio de Janeiro. Informações revelam que um dos suspeitos já havia sido detido em Fonseca, Niterói, em abril deste ano.
As investigações indicam que esses indivíduos estariam envolvidos com a imposição de taxas sobre moradores e comerciantes, além de estarem associados a ações violentas relacionadas à disputa por áreas territoriais. Este caso reacende as preocupações acerca dos impactos da presença de grupos criminosos na Região Metropolitana do Rio.
Polícia Civil foca em suspeitos de milícia no Rio
Na quarta-feira (24), a Polícia Civil do Rio de Janeiro executou uma operação visando dois homens suspeitos de serem operadores de uma milícia atuante em Rio das Pedras, Catiri e Catonho, localizadas nas zonas Sudoeste e Oeste do estado.
A investigação revela que os alvos seriam responsáveis pela coordenação da cobrança de taxas dos moradores e comerciantes dessas comunidades. Além disso, eles estariam envolvidos na organização de ações armadas para manter e expandir o domínio territorial do grupo criminoso.
Um dos suspeitos, identificado como Rodrigo Marques Carbone, foi capturado em Rio das Ostras, na Região dos Lagos, onde estaria se escondendo segundo informações da Polícia Civil.
O outro suspeito, Luick Ferreira Cabral Pequeno, já havia sido preso anteriormente em abril deste ano na comunidade Santo Cristo, localizada no bairro Fonseca, Niterói. Mesmo estando sob custódia, ele teve um novo mandado de prisão cumprido durante a operação realizada nesta quarta.
Preso no Fonseca pode estar ligado a conflitos entre facções
A Polícia Civil informou que os dois homens investigados ocupavam papéis significativos dentro da hierarquia criminosa. Eles são referidos como “puxadores de guerra”, um termo utilizado para designar criminosos supostamente responsáveis por liderar confrontos armados e invasões a áreas controladas por rivais.
No caso do indivíduo detido em Niterói, a polícia relatou que ele foi encontrado em abril com um armamento que incluía uma arma de fogo e uma granada. Segundo os investigadores, ele estava acompanhado por outros criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), que haviam saído da Vila do João, situada no Complexo da Maré.
Ainda conforme as apurações, o grupo estaria realizando uma ofensiva contra facções rivais no momento da sua captura.
Mistura entre milícia e TCP: investigação sugere parceria criminosa
A investigação aponta que a milícia alvo das apurações teria estabelecido uma aliança com membros do Terceiro Comando Puro (TCP). Esse vínculo, segundo as análises, visa aumentar o poder bélico da organização, consolidar áreas já dominadas e invadir territórios sob controle do Comando Vermelho (CV).
A possibilidade de colaboração entre milícias e facções é motivo de preocupação para as autoridades, pois essa articulação pode afetar diversas localidades na Região Metropolitana, incluindo Niterói.
Delineamento da investigação inicial
A investigação teve início em setembro de 2025 após uma ação realizada pela Draco na Estrada do Cafundá, na área da Taquara, Zona Oeste do Rio.
Nessa ocasião, os agentes apreenderam:
- dívidas em espécie;
- dentro do arsenal policial;
- sinais móveis;
- um carro clonado;
Sabe-se que o veículo clonado foi posteriormente reconhecido como produto de roubo pelos investigadores.
Análise dos celulares auxiliou no mapeamento do grupo criminoso
Através da análise dos celulares confiscados, a Polícia Civil conseguiu traçar parte da estrutura dessa organização criminosa.
A investigação revelou conversas sobre:
- Cobranças diárias;
- Diversão de áreas operacionais;
- Mudanças nas equipes para outras regiões;
- Cordenação entre operadores financeiros e membros armados;
- Aquisição de recursos pelo grupo;
A Polícia Civil destacou que o trabalho prossegue para identificar outros membros e aprofundar o entendimento sobre a estrutura criminosa investigada.
Efeitos sobre Niterói e a Região Metropolitana
A menção ao Fonseca , em Niterói, é significativa devido ao possível impacto das disputas entre grupos criminosos fora do centro urbano. A Polícia Civil ressaltou que o suspeito detido nesse local poderia estar envolvido em atividades armadas ligadas à guerra territorial entre organizações delituosas.
A continuidade das investigações buscará esclarecer não apenas as atividades dos suspeitos mas também a possível colaboração entre milícias e facções, além dos efeitos dessa competição nos municípios circunvizinhos daRegião Metropolitana do Rio .
A Polícia Civil reafirmou seu compromisso em combater a união entre milícias e o TCP , enquanto trabalha para identificar outros possíveis integrantes dessa rede criminosa.

