Um contrato de R$ 11,8 milhões destinado à aquisição de material escolar em Niterói está sob análise do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). A Corte solicitou que a prefeitura forneça esclarecimentos a respeito da compra realizada pela Fundação Municipal de Educação (FME).
A solicitação foi motivada por uma representação que levanta possíveis irregularidades na aquisição de kits escolares. A FME, no entanto, refuta qualquer indício de anormalidade e assegura que todos os procedimentos cumpriram a legislação vigente.
TCE-RJ exige esclarecimentos sobre o contrato de R$ 11,8 milhões
<pSegundo a decisão do conselheiro-relator Thiago Pampolha, ex-vice governador na gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), o município precisa apresentar explicações sobre o acordo feito com a empresa Brasil Comércio e Distribuidora Ltda.
Thiago Pampolha assumiu a função de conselheiro no TCE-RJ após ser indicado pelo governador Cláudio Castro. Sua nomeação foi aprovada pelo plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) após indicação pelo Poder Executivo.
O contrato, avaliado em R$ 11.800.782,47, contempla a compra de 1.174.714 itens destinados aos kits escolares da rede municipal.
A representação foi proposta pelo vereador Allan Lyra (PL), juntamente com Eduardo Paiva, ex-parlamentar e atual suplente da mesma legenda.
Além dos esclarecimentos requeridos, o conselheiro estipulou que todos os dados referentes à contratação sejam disponibilizados no Portal da Transparência, assim como cadastrados no Sistema Integrado de Gestão Fiscal (Sigfis) da Corte.
Citação ao Portal da Transparência e Sigfis na decisão
No despacho, o conselheiro-relator mencionou que, ao consultar o Portal da Transparência de Niterói, não conseguiu localizar informações relativas ao contrato em questão.
Pampolha também notou que as informações sobre a adesão à ata não estavam registradas no Sigfis, contrariando as normas estabelecidas pelo próprio TCE-RJ.
Ainda assim, ele optou por não analisar imediatamente o pedido de suspensão cautelar do contrato.
Antes de tomar uma decisão sobre qualquer medida provisória, ele pediu a oitiva prévia do município, permitindo que a administração apresentasse documentos e se pronunciasse sobre os pontos levantados na denúncia.
A denúncia levanta suspeitas de sobrepreço nos itens escolares
Dentre as preocupações expressas está a suspeita de surtos nos preços de vários produtos comprados para os kits escolares.
A representação indica que alguns dos itens previstos no contrato possuem os seguintes valores:
- 65 mil borrachas, custando individualmente R$ 7,81, totalizando R$ 507.600;
- 32.500 lápis, com preço unitário de R$ 4,50;
- 32.500 agendas escolares, ao custo unitário de R$ 34,79, resultando em um total aproximado de R$ 1,13 milhão;
- 38 mil pastas, ao preço unitário de R$ 47,71, somando aproximadamente R$ 1,81 milhão;
- 32.500 estojos , vendidos por $ 20,83 cada, totalizando aproximadamente R$ 676.900;
- 97.500 cadernos , com valor unitário em torno R$ 16,41 Strong > , totalizando cerca R$ 1,6 milhão; Strong >
A avaliação contida na representação afirma que os preços praticados seriam superiores aos registrados em atas vigentes por outras instituições públicas.
Dentre as entidades mencionadas estão a Secretaria de Educação de Pernambuco Strong > , o Consórcio Integrado Multifinalitário do Vale do Jequitinhonha Strong > e a Prefeitura do Rio. Strong > p >
O vereador clama por transparência nos gastos públicos h2 >
Allan Lyra strong > declarou que sua iniciativa visa exigir explicações acerca da contratação e garantir transparência no uso dos recursos públicos. p >
“Nosso objetivo sempre foi assegurar transparência e proteger os recursos dos contribuintes. O TCE reconheceu que os fatos apresentados necessitam investigação e demandou explicações da prefeitura. Não estamos fazendo acusações precipitadas; buscamos respostas para uma contratação envolvendo milhões provenientes da população”, afirmou o edil. p >
Ao solicitar manifestação do município, o conselheiro doTCE-RJ strong > ressaltou que essa ação visa garantir o devido processo legal e possibilitar à administração municipal apresentar provas que confirmem a regularidade dos procedimentos adotados. p >
Ex-parlamentar questiona os valores dos kits escolares h2 >
Eduardo Paiva strong > também levantou questionamentos sobre os valores mencionados na representação. p >
“O que nos chamou atenção foram os preços exorbitantes dos itens básicos dos kits escolares em comparação com os valores praticados no mercado. Diante desse cenário, surge a inevitável pergunta: por que a prefeitura está pagando mais caro?” , declarou Paiva. p >
A investigação conduzida peloTCE-RJ strong > ainda está na fase inicial para coleta de esclarecimentos. Até o presente momento, conforme determinado pela decisão, o município deve fornecer informações e documentos antes da análise sobre qualquer pedido cautelar para suspender o contrato. p >
A FME nega qualquer irregularidade na contratação h2 >
A Fundação Municipal de Educação de Niterói strong > informou que as informações relacionadas à contratação estão disponíveis nos canais oficiais da pasta.
A FME também destacou que seguiu rigorosamente a Lei Federal nº 14.133/2021 strong > ao aderir à ata de registro de preços.
A fundação ainda ressaltou que a solicitação feita peloTCE-RJ strong > é um procedimento comum diante das denúncias ou representações recebidas.
D segundo a FME , a denúncia apresentada por um vereador oposicionista não demonstra evidências suficientes para considerar anormalidades na contratação.
Impacto para os cidadãos niteroienses h2 >
A situação envolve fundos públicos destinados à aquisição de<strong material escolar
a apuração feita peloTCE-RJ deve esclarecer se as ações da administração municipal foram regulares e se os valores contratados atendem às normas exigidas para compras públicas.
No interim , as exigências por transparência colocam esse contrato como um tema central nas discussões acerca da gestão dos recursos públicos , educação e fiscalização em Niterói.
