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Niterói vai atrás de novos contratos da Petrobras: o que está em jogo para a cidade

Jornal CariocaJornal Cariocasetembro 16, 2026 194 Minutes read0
Foto: Claudio Fernandes

Niterói tenta transformar os investimentos realizados no Canal de São Lourenço em novos contratos, empregos e encomendas para os estaleiros da cidade.

Esse foi o centro da reunião realizada nesta segunda-feira (14), na sede da Petrobras, entre o prefeito Rodrigo Neves e a presidente da estatal, Magda Chambriard. O presidente da Transpetro, Sergio Bacci, representantes dos estaleiros e secretários municipais também participaram.

O encontro, porém, não resultou no anúncio imediato de novos contratos destinados a empresas de Niterói. O movimento teve caráter estratégico: aproximar o setor naval local das futuras demandas da Petrobras e da Transpetro.

Foto: Claudio Fernandes

O que Niterói quer da Petrobras?

A cidade busca ampliar a participação de seus estaleiros na retomada das encomendas nacionais de embarcações, equipamentos offshore, serviços de manutenção e apoio às operações de petróleo e gás.

Niterói reúne estaleiros, terminais, bases offshore, empresas de logística e fornecedores especializados. A proximidade com a Bacia de Santos também é apresentada como uma vantagem competitiva.

“Niterói tem uma vocação industrial histórica e uma posição estratégica para a indústria naval, de petróleo e gás”, afirmou Rodrigo Neves.

Segundo o prefeito, o objetivo é aproximar as empresas locais da Petrobras e transformar a recuperação do setor em novos investimentos e postos de trabalho.

Foto: Claudio Fernandes

Por que a dragagem é decisiva?

Um dos principais obstáculos enfrentados pelos estaleiros era a profundidade do Canal de São Lourenço, acesso utilizado por embarcações para chegar às instalações industriais de Niterói.

Com a dragagem, o calado passou de aproximadamente sete para 11 metros. Na prática, isso permite a entrada e a movimentação de embarcações maiores, ampliando os tipos de serviço que podem ser executados na cidade.

A intervenção recebeu cerca de R$ 162,5 milhões em recursos municipais. Niterói agora se prepara para iniciar a segunda fase do projeto.

A lógica é direta: não basta possuir estaleiros se os navios necessários aos novos contratos não conseguem acessar o canal com segurança e capacidade operacional.

Foto: Claudio Fernandes

O que ainda falta para os empregos chegarem?

A infraestrutura marítima é apenas uma parte da equação. Para que a retomada chegue efetivamente ao trabalhador, Niterói ainda precisa conquistar encomendas e contratos para suas empresas.

O processo depende principalmente de quatro fatores:

  • Participação dos estaleiros locais nas contratações da Petrobras e da Transpetro;
  • Preços e condições competitivas;
  • Exigência de conteúdo nacional nos projetos;
  • Disponibilidade de trabalhadores qualificados.

Magda Chambriard afirmou que a Petrobras busca aproveitar a capacidade industrial já instalada no Brasil, desde que as empresas apresentem condições competitivas.

“A gente está trabalhando o máximo possível para viabilizar as instalações que já existem no Brasil, de forma competitiva. O conteúdo local é importante para viabilizar esse movimento”, declarou a presidente da Petrobras.

Ela também defendeu uma participação maior do Rio de Janeiro nos projetos do setor e citou a posição privilegiada de Niterói em relação à Bacia de Santos.

Foto: Claudio Fernandes

Estaleiro Mauá amplia número de trabalhadores

A recuperação do Estaleiro Mauá aparece como um sinal concreto de retomada da atividade na cidade.

Segundo o CEO da empresa, Miro Arantes, o estaleiro mantinha entre 500 e 600 funcionários em 2024. Atualmente, o quadro teria chegado a cerca de 1.500 trabalhadores.

“Os estaleiros já existem, a infraestrutura está instalada e não é mais necessário fazer os grandes investimentos iniciais que foram feitos no passado”, afirmou.

Os números foram apresentados pelo próprio executivo e mostram uma recuperação da força de trabalho. Ainda assim, a expansão duradoura dependerá da continuidade das encomendas.

Qualificação será necessária

Uma nova rodada de projetos também cria demanda por soldadores, caldeireiros, montadores, eletricistas, técnicos, engenheiros e profissionais especializados nas operações offshore.

Por isso, a Prefeitura defende a combinação entre contratos, infraestrutura e qualificação profissional. Sem trabalhadores preparados, parte das vagas pode não ser preenchida localmente.

Também entram nessa estratégia os investimentos em pesquisa, inovação e recuperação financeira das empresas do setor.

O que muda agora para o morador?

Neste momento, a reunião não abre inscrições para empregos nem garante a contratação de um estaleiro específico de Niterói.

O encontro fortalece a articulação para que as empresas locais concorram às demandas futuras da Petrobras e da Transpetro. Os efeitos concretos dependerão dos editais, contratos e encomendas que forem efetivamente direcionados à região.

A informação mais importante para o trabalhador é acompanhar os anúncios oficiais dos estaleiros e os programas de formação profissional. Eventuais vagas deverão surgir conforme cada contrato avance.

Participaram da reunião a vice-prefeita Isabel Swan; os secretários Luiz Paulino Moreira Leite, Elisa Rasma e Cesar Barbiero; a diretora executiva da Petrobras Angélica Laureano; além de representantes do setor naval instalado em Niterói.

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