Nesta quarta-feira (7), a Polícia Federal e o MPRJ realizaram a Operação Magen no Rio de Janeiro, cumprindo sete mandados de prisão preventiva e 18 ordens de busca. A investigação financeira revelou transações que ultrapassam R$ 250 milhões.
O foco da operação é um grupo composto por policiais e ex-policiais militares, acusado de participar do comércio ilegal de armamentos, bem como do acesso e compartilhamento de informações confidenciais das forças de segurança, além de um esquema para lavagem de dinheiro.
De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, foram apresentadas denúncias contra dez indivíduos. Os mandados foram emitidos pela 1ª Vara de Organização Criminosa da Capital e estão sendo executados nos estados do Rio de Janeiro e Amazonas.
No Rio, a Polícia Federal reportou que as ações estão sendo realizadas na capital e em cidades como Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica. Além das prisões, medidas cautelares como monitoramento eletrônico também estão sendo aplicadas aos investigados com vínculos financeiros ao grupo.
Venda de 10 fuzis a Peixão é revelada por investigação
A apuração realizada pelo GAESF/MPRJ teve início ao investigar o arsenal dos criminosos que operam no Complexo de Israel, localizado na Zona Norte do Rio. O aprofundamento das investigações levou à descoberta de diversas atividades ilícitas associadas ao grupo.
Identificado como líder da organização criminosa, o ex-policial militar Vitor Hugo Marinho Garcia, conhecido como Batata, é considerado um dos principais fornecedores de armamentos e informações privilegiadas para Álvaro Malaquias Santa Rosa, apelidado de Peixão, que lidera o Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de Israel.
Conforme a denúncia apresentada, em outubro de 2022, Batata teria transportado e comercializado dez fuzis AR-15 para Peixão. As investigações também indicam outras transações envolvendo fuzis Colt M4, pistolas Glock, revólveres, carregadores e munições.
A Polícia Federal afirmou que o grupo dispunha de uma estrutura voltada para a aquisição, transporte e venda clandestina de materiais bélicos. Dentre os armamentos negociados estavam fuzis restritos à polícia, pistolas, revólveres, carregadores e munições.
Movimentações financeiras superam R$ 250 milhões
O levantamento financeiro realizado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro confirmou movimentações financeiras superiores a R$ 250 milhões, ligadas a pessoas físicas e cinco empresas associadas ao grupo sob investigação.
Essas cinco empresas mencionadas no pedido judicial movimentaram cerca de R$ 173,7 milhões, somando créditos e débitos identificados durante as investigações. Elas operavam nos setores alimentício e comércio de materiais para construção e reforma; segundo as acusações, foram utilizadas para práticas de lavagem financeira.
Além disso, a Polícia Federal apresentou outro aspecto da investigação: estima-se que o esquema tenha movimentado mais de R$ 100 milhões em um período de quatro anos, abrangendo contas pessoais e jurídicas identificadas como empresas fantasmas.
O MPRJ também solicitou o sequestro de três imóveis e 31 veículos associados aos investigados, além da imposição do bloqueio dos bens e valores relacionados ao caso.
Acusações contra policiais por acesso a dados sigilosos
A acusação ainda destaca que membros do grupo teriam utilizado uma rede composta por policiais e ex-policiais para obter acesso a informações contidas em sistemas restritos das forças policiais.
Segundo o GAESF/MPRJ, foram feitas consultas sobre dados como proprietários de veículos, endereços residenciais, localização de foragidos da Justiça, geolocalização de celulares e registros sobre circulação automotiva.
Um caso específico mencionado na denúncia relata que um policial civil teria informado outros integrantes do grupo sobre a localização de um procurado pela Justiça e sobre a existência de um mandado contra ele. Para o Ministério Público, essa ação visava antecipar-se à chegada das autoridades policiais para extorquir dinheiro desse indivíduo.
Possíveis crimes atribuídos aos investigados
Conforme informações da Polícia Federal, os indivíduos investigados poderão ser responsabilizados pelos crimes conforme seu grau de envolvimento nas atividades ilícitas: organização criminosa armada, comércio ilegal de armas e munições, violação do sigilo funcional, usura e lavagem de dinheiro.
Além disso, o MPRJ requisitou a retenção dos passaportes dos alvos das prisões preventivas e pediu para que os mandados fossem registrados no sistema da Interpol devido ao risco desses indivíduos deixarem o país.
A Operação Magen faz parte das investigações sobre atividades criminosas envolvendo organizações delituosas com participação ativa ou passiva por agentes ou ex-agentes da segurança pública em esquemas relacionados ao fornecimento ilegal de armamentos. OCidade de Niterói sigue acompanhando as ações vinculadas à segurança pública em Niterói e nas áreas metropolitanas adjacentes.
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