A mobilização dos estudantes em apoio ao segundo turno das eleições presidenciais está se espalhando por todo o Brasil. Após um protesto de alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF) pelas ruas de Niterói na noite de segunda-feira (5), convites para assembleias, manifestações e plenárias começaram a surgir em instituições de ensino em dez estados, além do Distrito Federal.
Os dados coletados pela equipe de reportagem mostram que as atividades visam apoiar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e se opor à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). As mobilizações ocorrem em locais como Rio Grande do Sul, Bahia, Sergipe, Pará, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro e Maranhão, assim como no Distrito Federal. Com o ato já realizado em Niterói, a mobilização abrange nove estados e o DF.
As atividades propostas variam bastante: há encontros dentro das universidades para planejar ações no segundo turno, assembleias gerais do movimento estudantil e manifestações em áreas públicas.
“O levante estudantil apenas começou. Vamos lutar para resistir e vencer nas eleições”, afirmou Vinicius Soares, diretor da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), ao compartilhar uma lista das mobilizações programadas para os dias seguintes.
Estudantes percorrem a Zona Sul de Niterói
A manifestação organizada pela UFF aconteceu um dia após o primeiro turno das eleições. Os participantes deixaram o campus do Gragoatá e caminharam pelas ruas do Ingá e Icaraí, passando pela orla e pelas avenidas Roberto Silveira e Miguel de Frias.
A atividade foi monitorada por equipes da Polícia Militar e da NitTrans, conforme reportado na matéria publicada pelo Cidade de Niterói na segunda-feira.
Entre os grupos responsáveis pela convocação estão o Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV), da Faculdade de Direito da UFF, em parceria com outras entidades estudantis.
“O choque e a surpresa com os resultados do domingo devem ser transformados em ação”, dizia a convocação enviada aos estudantes.
Além do apoio a Lula e da oposição à candidatura de Flávio Bolsonaro, os manifestantes também se manifestaram contra a ideia de anistia para Jair Bolsonaro.
Universidades promovem assembleias e plenárias
Em Paraná, alunos da Universidade Estadual de Maringá (UEM) convocaram uma reunião geral do movimento estudantil para esta terça-feira (6). O comunicado propõe a organização de “ações concretas” contra a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Na Bahia, a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) também anunciou uma plenária voltada à juventude para esta terça-feira. A UFRB e UFBA estão entre as instituições mencionadas nas atividades programadas.
O calendário inclui diversos encontros e mobilizações envolvendo estudantes das seguintes instituições:
A convocação parte de grupos estudantis e não reflete necessariamente um posicionamento oficial das universidades.
Assim, a lista apresentada abrange dez estados além do Distrito Federal, considerando todas as instituições citadas.
Atividades públicas estão previstas no calendário
Algumas iniciativas visam levar as mobilizações para fora dos campi universitários.
No Maranhão, um cronograma elaborado por estudantes inclui eventos na UFMA e na UEMA, além de uma oficina para criação e colagem de cartazes e um ato no Largo do Carmo. O material exibe o lema “Nem o pai, nem o filho. Bolsonaros nunca mais”.
Em Belo Horizonte, um cartaz convoca uma manifestação na Praça Afonso Arinos, intitulada “Estudantes contra Flávio Bolsonaro”.
No Rio de Janeiro, alunos da UFRJ e Unirio também organizaram encontros. Esses formatos demonstram que as ações previstas combinam organização interna com presença em espaços públicos.
Embora as agendas tenham sido divulgadas simultaneamente, não é possível afirmar que todas as iniciativas foram desencadeadas pelo ato em Niterói ou que exista uma coordenação centralizada entre elas.
Mobilização após primeiro turno com diferença de 2,22 milhões
Esse movimento ocorre no contexto de uma disputa presidencial acirrada entre os dois principais candidatos. Flávio Bolsonaro obteve 56.104.503 votos, representando 47,03% dos válidos, enquanto Lula recebeu 53.879.538 votos ou 45,16%.
A diferença totalizou 2.224.965 votos. Ambos os candidatos avançaram para o segundo turno agendado para 25 de outubro.
A abstenção também é relevante neste cenário: cerca de 33,47 milhões de eleitores não compareceram às urnas, correspondendo a 21,08% do eleitorado apto. Contudo, esses números não revelam as preferências políticas dos ausentes.
A influência eleitoral das mobilizações ainda está indefinida
O aumento das convocações revela que as entidades estudantis estão tentando estruturar sua participação nas campanhas eleitorais. Até o momento, não existem dados suficientes nos materiais coletados que permitam avaliar o público dessas atividades ou seu impacto nas intenções de voto.
Para a candidatura de Lula, ações desse tipo podem ajudar a disseminar mensagens e aumentar a participação dos apoiadores. No entanto, transformar essa mobilização em novos votos requer alcançar pessoas além dos círculos já engajados.
Niterói já registrou um ato realizado; nas demais cidades mencionadas, grande parte do movimento ainda se encontra na fase inicial das convocações. A execução das atividades futuras permitirá analisar o impacto dessa articulação estudantil durante a campanha do segundo turno.
