- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou Jorge Messias, que atualmente ocupa o cargo de advogado-geral da União, para a posição anteriormente ocupada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF).
- A indicação será formalmente apresentada ao Senado na terça-feira, 31 de março de 2026.
- Messias é reconhecido por sua lealdade ao Partido dos Trabalhadores (PT) e sua proximidade com o presidente Lula.
- Em seu histórico, já desempenhou a função de subchefe de Assuntos Jurídicos durante o governo de Dilma Rousseff.
- A formalização da nomeação levou quatro meses devido a um entrave com Davi Alcolumbre.
- Ele se tornou um importante interlocutor de Lula no STF, mantendo bom relacionamento com os ministros da Corte.
Jorge Messias foi escolhido por Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. O Palácio do Planalto informou que a mensagem oficial com essa indicação será encaminhada ao Senado nesta terça-feira, 31 de março de 2026.
Com a escolha de Messias para substituir Barroso, Lula demonstra sua influência sobre o STF. Embora o anúncio tenha ocorrido há quatro meses, a oficialização da indicação foi atrasada devido a um impasse envolvendo Davi Alcolumbre, presidente do Senado.
A trajetória política de Jorge Messias
Jorge Messias construiu uma carreira política sólida dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo considerado um aliado fiel mesmo em momentos complicados. Sua relação próxima com Lula se intensificou através da ex-presidente Dilma Rousseff, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e do líder governista no Senado, Jaques Wagner.
Servidor público formado, Messias atuou como procurador tanto do Banco Central quanto da Fazenda Nacional. Sua conexão com líderes do PT se fortaleceu quando se engajou no movimento sindical ligado à Advocacia-Geral da União (AGU) e exerceu funções no Ministério da Educação durante a gestão de Mercadante, onde foi secretário responsável pela Regulação.
No governo Dilma, ele ocupou o cargo de subchefe de Assuntos Jurídicos. Em março de 2016, seu nome ganhou notoriedade nacional após uma interceptação telefônica divulgada na Operação Lava Jato, envolvendo uma conversa entre Dilma e Lula. Na ocasião, Dilma mencionou que enviaria um termo de posse para que Lula pudesse assinar e assumir o cargo de ministro da Casa Civil. O STF considerou essa interceptação ilegal por ter sido realizada após ordem para interromper as gravações emitida pelo juiz Sergio Moro.
A proximidade entre Messias e Dilma se manteve ao longo dos anos; ela esteve presente na cerimônia em que ele assumiu como ministro da AGU em 2023 e participou de um jantar reservado em sua homenagem. Em 2019, ele trabalhou junto ao gabinete do senador Jaques Wagner e teve papel relevante na transição governamental após a vitória de Lula em 2022, coordenando um grupo focado em Transparência, Integridade e Controle.
O papel de Messias na AGU e sua relação com o STF
Ao liderar a defesa do governo federal diante do Supremo Tribunal Federal e gerenciar as estratégias jurídicas da administração petista, Messias conferiu um caráter mais político à AGU. Ele passou a fazer parte do grupo ministerial responsável pela mediação das principais questões conflitantes enfrentadas pelo governo.
Na posição de advogado-geral da União, Messias tornou-se o principal representante de Lula no STF, desenvolvendo uma boa relação com todos os ministros. No final de 2023, foi fundamental para estabelecer uma aproximação entre Lula e Barroso quando este assumiu a presidência do STF. Durante esse período, ele e o ministro Cristiano Zanin trabalharam para reconciliar as desavenças anteriores entre os dois.
À frente da AGU, Messias também fortaleceu laços com os ministros Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Conexões políticas e alianças de Messias
No âmbito governamental, Messias cultivou uma relação estreita com a ministra da Gestão Esther Dweck e com o ministro do Desenvolvimento Agrário Paulo Teixeira. Entre seus principais aliados estão Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais).
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