Com apenas dez dias restantes para o início da Copa do Mundo, estabelecimentos de Niterói, como bares, restaurantes e lojas, já perceberam que o verdadeiro jogo começa nas vendas, e não apenas no apito.
Contagem regressiva para a Copa: o comércio de Niterói se movimenta antes da estreia do Brasil
A cidade se prepara para o evento com uma série de iniciativas, desde telões na orla até coleções limitadas de roupas que já estão esgotadas por encomenda, demonstrando que a Copa do Mundo é uma força propulsora da economia local.
Niterói já está em clima de Copa do Mundo no comércio
Estimativas indicam um aumento de até 150% no movimento dos bares durante os dias de jogo, e empresários locais comentam sobre suas estratégias para maximizar os lucros a cada partida.
A Copa do Mundo não apenas mobiliza a torcida; seu impacto financeiro é significativo. Antes mesmo do primeiro apito, os bares, restaurantes e lojas em Niterói estão ajustando seus estoques, cardápios e vitrines para capitalizar sobre o evento. Os dados mostram claramente o porquê dessa preparação.
<pUma pesquisa realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil revela que 99,2 milhões de brasileiros planejam fazer compras relacionadas ao Mundial de 2026, com um gasto médio estimado em R$ 619 por consumidor, subindo para R$ 784 entre as classes A e B. Mais revelador é que 97% dos torcedores afirmam que assistirão aos jogos em grupo, preferencialmente com familiares e amigos. Assim, o consumo durante a Copa se torna uma experiência compartilhada; as pessoas compram não apenas para ver futebol, mas para vivenciar essas emoções junto com outros.
Nesse contexto, o comércio local encontra uma oportunidade. Quando a vivência coletiva se transforma no produto oferecido, os estabelecimentos deixam de competir apenas em preço e passam a brigar pela criação de um ambiente agradável. No setor gastronômico, as expectativas são otimistas quanto ao aumento no fluxo de clientes. Um levantamento da Goomer, especializada em tecnologia para alimentação fora do lar, prevê um crescimento de até 150% nas vendas de bares e restaurantes nos dias dos jogos da Seleção Brasileira. Essa previsão se baseia em dados das edições anteriores da Copa, onde houve aumentos significativos nas vendas e pedidos. Para 2026, um fator positivo é que muitas partidas ocorrerão à noite ou nos fins de semana, períodos em que as pessoas têm mais tempo disponível para sair e gastar.
Os estabelecimentos já estão atentos a essa tendência. O Macaw, localizado em Camboinhas, programou uma série de eventos especiais para todas as datas dos jogos, incluindo DJs, telões e kits promocionais para quem estiver assistindo às partidas no local. Além disso, serão oferecidos welcome drinks e doses duplas de bebidas a cada gol marcado pelo Brasil. A intenção vai além da venda de refeições; busca-se proporcionar uma experiência única. Cada jogo torna-se um evento social onde o consumo resulta da permanência dos clientes.
A perspectiva daqueles que gerenciam essas operações é positiva, embora realista. “O Macaw tem maior movimento durante o dia; como os jogos ocorrem à noite, conseguimos aumentar nosso faturamento”, afirma Alexandre Ribeiro, sócio do estabelecimento. Ele ressalta ainda: “Na última Copa, mesmo sendo inaugurados recentemente na época, tivemos um bom retorno financeiro. Estou esperançoso quanto ao resultado tanto em Niterói quanto em Búzios“. No entanto, ele faz uma observação pertinente: “O clima pode afetar muito as vendas aqui no Rio. Tenho a convicção de que os cariocas têm dificuldades em lidar com dias chuvosos. Existem fatores que podem limitar as vendas, mas continuo otimista.”
No segmento da moda, a abordagem é diferente; trata-se do desejo dos consumidores. A marca niteroiense Bullarru, especializada em couro premium e recém-inaugurada em novembro de 2024, lançou sua coleção temática para a Copa: uma edição limitada de blusas com lantejoulas inspiradas no Brasil. O sucesso foi imediato: as peças esgotaram-se antes mesmo de chegarem à loja física. “Somos novos na cidade e mesmo assim nossa coleção da Copa esgotou antes do lançamento oficial”, conta Fabiana Fanni, sócia da Bullarru.
Tanto o caso do Macaw quanto o da Bullarru refletem uma recusa em considerar a Copa do Mundo como um mero evento promocional transitório. A motivação para comprar durante grandes eventos esportivos vai além do aumento no fluxo de clientes; ela se origina das emoções geradas pelo evento: pertencimento, celebração e compartilhamento são fatores mais impactantes que qualquer tipo de desconto oferecido. Portanto, as empresas que mais se beneficiam desse período não são aquelas que reduzem preços; mas sim aquelas que criam experiências memoráveis.
Surgem questionamentos importantes para os comerciantes niteroienses: se um campeonato mundial consegue transformar uma blusa brilhante ou uma noite assistindo ao jogo num objeto desejado pelos consumidores, qual seria o impedimento para criar esse sentimento ao longo do ano? A Copa passará; porém o desejo das pessoas por produtos que façam parte desse sentimento coletivo perdurará.
Nota sobre transparência: Os estabelecimentos mencionados neste artigo são atendidos pela N!, empresa especializada em marketing fundada pela autora deste texto. As informações foram coletadas através de entrevistas e os dados econômicos possuem fontes independentes listadas abaixo.
Fontes dos dados: Pesquisa realizada pela CNDL/SPC Brasil, em parceria com a Offerwise (maio de 2026); projeções feitas pela Goomer sobre bares e restaurantes.
A postagem “Antes da bola rolar, o varejo de Niterói já está ganhando” foi publicada inicialmente na Cidade de Niterói.
