São Paulo e Rio de Janeiro seguem liderando o mercado, enquanto plataformas digitais ampliam o acesso a oportunidades em todo o país
Após um período de juros elevados, aumento da inadimplência e maior volume de ativos retomados por instituições financeiras, o mercado de leilões imobiliários chega a 2026 em um momento de expansão. Especialistas apontam que o setor deve continuar atraindo investidores em busca de imóveis com preços abaixo do mercado, especialmente em grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro.
As duas capitais permanecem entre os principais polos de leilões do país, concentrando grande parte da oferta de imóveis residenciais, comerciais e de alto padrão. Ao mesmo tempo, a digitalização do setor vem ampliando o alcance dessas oportunidades para investidores de diferentes regiões do Brasil.
Segundo Rogério Menezes, leiloeiro oficial com mais de 36 anos de atuação, a concentração de leilões em São Paulo e no Rio de Janeiro está diretamente ligada ao tamanho de suas economias e à dinâmica do mercado imobiliário local.
“São Paulo e Rio de Janeiro continuam liderando porque concentram um volume muito expressivo de operações financeiras e de imóveis. Isso gera naturalmente uma quantidade maior de ativos disponíveis em leilão e amplia as oportunidades para investidores que conhecem o mercado”, afirma.
Mercado amadurece e atrai novos perfis de investidores
Nos últimos anos, os leilões deixaram de ser vistos apenas como uma alternativa para investidores experientes e passaram a despertar o interesse de compradores em busca do primeiro imóvel, empresas e investidores patrimoniais.
A combinação entre descontos relevantes e acesso facilitado às informações tem contribuído para esse movimento.
“Hoje existe muito mais transparência e acesso aos dados dos imóveis. Isso permite que o investidor faça análises mais precisas e tome decisões mais estratégicas. Os leilões deixaram de ser um mercado de nicho para se tornar uma alternativa real dentro do universo de investimentos imobiliários”, explica Menezes.
Dependendo do imóvel e das condições do edital, os descontos podem variar significativamente em relação aos valores praticados no mercado tradicional.
Tecnologia amplia alcance dos leilões
Se antes a participação em leilões exigia presença física, a realidade em 2026 é bastante diferente. O crescimento das plataformas digitais transformou a dinâmica do setor e permitiu que investidores participem de disputas em qualquer lugar do país.
“A tecnologia democratizou o acesso. Hoje é possível analisar documentação, acompanhar lances e adquirir imóveis de forma segura utilizando apenas um computador ou celular. Isso ampliou muito o número de participantes e trouxe mais liquidez para o mercado”, afirma o especialista.
Apesar do avanço digital, os leilões presenciais continuam relevantes, especialmente em negociações de imóveis de maior valor ou em mercados onde a visita prévia ao bem representa uma vantagem competitiva para o comprador.
Atenção aos editais continua sendo fundamental
Embora o setor ofereça oportunidades atrativas, especialistas alertam que o sucesso nos leilões depende de planejamento e análise cuidadosa.
Questões como situação jurídica do imóvel, existência de ocupantes, custos adicionais e regras específicas de cada edital continuam sendo fatores decisivos para a rentabilidade da operação.
“Leilão não é uma aposta. É uma modalidade de investimento que exige estudo, planejamento e conhecimento. Quem analisa corretamente os riscos e entende as regras consegue encontrar excelentes oportunidades mesmo em cenários econômicos mais desafiadores”, destaca Rogério Menezes.
Perspectivas para o setor
Com a expectativa de manutenção de um volume relevante de imóveis ofertados e o avanço das plataformas digitais, o mercado de leilões imobiliários deve continuar em evidência ao longo de 2026.
Para especialistas, o segmento tende a desempenhar um papel cada vez mais importante na reciclagem de ativos, na geração de liquidez para instituições financeiras e na criação de oportunidades para investidores que buscam diversificação e rentabilidade no mercado imobiliário.
“O investidor que entende o funcionamento dos leilões encontra um ambiente com potencial de bons negócios. O segredo continua sendo informação, estratégia e visão de longo prazo”, conclui Rogério Menezes.

